Não, eu não vivo sem meus fones de ouvido. Pra vocês terem uma idéia, eu ando com
três deles na minha mochila, o tempo todo.
É uma delícia botar um bom fone nas orelhas, se desligar da barulhada
usual do mundo e descobrir detalhes das minhas músicas que nunca seriam
audíveis em caixas de som normais.
Acontece que é difícil separar o joio do trigo ao tentar comprar bons
fones de ouvido. Portanto, aqui vai um pouquinho da minha modesta
experiência pra ajudar quem se interessar. Não sou um audiófilo
experiente, então posso ter errado em alguma coisa. Neste caso, me
xingue nos comentários que eu conserto.
Tipos de fone de ouvido
Earbuds (às vezes chamados intra-auriculares, embora
não seja o correto): São aqueles pequenos que você enfia na orelha. A
maioria dos fones que você vê por aí são do tipo “earbud”. Fones desse
tipo são muito fáceis de achar. Fones
bons desse tipo são bem difíceis de achar.
Como são muito pequenos, os
earbuds – tanto os vagabundos
quanto os de qualidade – não conseguem reproduzir com perfeição os sons
mais graves. Outra desvantagem é que eles não são bons para ambientes
barulhentos, tipo ônibus ou avião. Aí você aumenta o volume pra
compensar e, daqui a alguns anos, acaba trocando o fone por um aparelho
de surdez…
Supra-auriculares (headsets): É o “fone de DJ”,
aquele modelo grandão e almofadado que você usa sobre a orelha. São
confortáves, fáceis de colocar e tirar, e os modelos com traseira
fechada bloqueiam boa parte dos ruídos externos. Como são maiores,
reproduzem o som com maior fidelidade e são menos nocivos à audição,
porque ficam mais longe do seu tímpano do que os
earbuds. Mas são mais caros, não são lá muito portáteis e nem discretos (se você tentar usar um deles durante a aula, sua professora
vai notar).
Fones supra-auriculares são particularmente bons para usar com jogos de PC, principalmente os de tiro em primeira pessoa.
Intra-auriculares (in-ear ou canalphones): Eles tem um formato esquisito e um jeito ainda mais estranho de usar: você enfia os fones
dentro do canal auditivo. E isso, meus caros, é a melhor coisa do mundo.
Fones intra-auriculares são tão discretos e portáteis quanto os
earbuds,
tem uma qualidade sonora maravilhosa e isolam praticamente TODO o ruído
externo – o que é um perigo na hora do cooper, por exemplo. Você só vai
perceber que entrou na frente do ônibus quando ele te atropelar, já que
a buzina, a freada e o rugido do motor jamais chegarão aos seus
tímpanos.
Claro que esse poder todo tem seu preço: fones intra-auriculares são
caros. Além disso, o uso dentro do canal auditivo não é exatamente
confortável. E, de vez em quando, você vai ter a desagradável tarefa de
limpar restos de cera de ouvido deles.
Fones que conheço e recomendo
Qualquer fone que venha junto com algum produto bom (iPod, MP3 player, notebook, etc). Estes
tem
que ser no mínimo razoáveis, porque senão comprometem o produto que
acompanham. Imagine se os fones do iPod tivessem um som ruim: ninguém ia
culpar os fones, todo mundo ia sair dizendo que “o iPod é uma droga”.
Por isso os fabricantes espertos não bobeiam e capricham na qualidade
destes fones.
Os dois fones que uso diariamente são o do meu iPod e o que veio com meu finado
m:robe MR100.
Philips SBCHP195. Esse é relativamente fácil de
achar no Brasil. Ele é bom, durável, o cabo é grande e o som é muito
bom, apesar de puxar um pouquinho pros graves. É a melhor opção que
conheço para fones supra-auriculares.
Um aviso: estes fones são contra-indicados para filmes de terror. Pra vocês terem uma idéia, eu só tive coragem de assistir
O Iluminado até o fim depois que tirei os fones. É que a música funciona
muito melhor com eles – o que não é nada desejável quando o objetivo da música é tornar as cenas ainda mais assustadoras…
Shure E3C. Intra-auriculares com isolamento acústico. Não são baratos, mas são magníficos. Esses eu descrevi em detalhes neste post.
Fones que conheço e NÃO recomendo:
Qualquer um da marca Coby. Nunca vou me esquecer da última vez que ouvi algo através de um fone Coby: botei os fones nos ouvidos, apertei o
play do meu Winamp e, conforme a música soava, eu me sentia
fisicamente mal.
O barulho que aquela porcaria produzia era uma mistura de rádio AM com
telefone de latinha. Eu fiquei tão revoltado que joguei os fones no
lixo, após alguns
segundos de uso.
Na verdade, é bom você tomar cuidado com a maioria dos fones tipo
earbud, mesmo os de marca boa (Philips, Sony, etc), pois vários são
low end (feitos pra vender barato e, portanto, sem qualidade)
Koss Plug.
Comprei um deles quando estava no Canadá e, na época, achei ótimo:
baratinho, o isolamento acústico era uma beleza, na academia ele tapava
aquelas músicas chatas vindas da aula de
spinning, e ele era um bom apoio para amenizar 10 horas de motor de avião rugindo na sua orelha enquanto eu voava de volta pro Brasil.
Acontece que o
The Plug puxa demais para os graves. Todos os
detalhes mais agudos da música se perdem no oceano de “uoooomp,
wuooomp” do baixo e da bateria. É como se você botasse um subwoofer
dentro da orelha.
Bem, se você gosta de funk, vai fundo que o
The Plug é ideal pra você…
Fones com controle de volume, no fio ou nos próprios fones. Esse controle de volume pode até ser prático, mas normalmente degrada a qualidade do som.
Dois cuidados básicos para seu fone de ouvido durar bastante

Guarde seu fone com o fio enrolado
gentilmente, sem forçar – principalmente perto do conector, o primeiro lugar aonde o mau contato aparece quando o fone é maltratado.

JAMAIS sopre
dentro dos fones para tirar sujeira ou poeira. Por dentro, o fone é uma
micro-caixa de som, com um diafragma mais delicado do que a torcida do
Cruzeiro. Estraga mais fácil do que você imagina.
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